Sozinhos em casa

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Sozinhos em casa

Mensagem  vivie em Dom Out 05, 2008 5:01 pm

Como a vida não é como nos filmes, a primeira constatação é que no mundo real os finais felizes não estão garantidos. Portanto, mesmo que o seu filho lhe peça insistentemente e você ache que ele está pronto para esse passo, pense duas vezes. Ou três.

Podem não existir, como na comédia americana, malfeitores trapalhões a vigiar a porta, mas, para um miúdo, ficar sozinho em casa pode ser mesmo uma aventura, com inúmeros perigos a saltarem em cada esquina do lar. O primeiro risco deriva exactamente de a criança, apesar de o parecer, ainda não estar pronta para esse crescendo na sua autonomia.

«Antes dos 10, 11 anos, os pais não deveriam deixar os filhos sozinhos em casa por mais do que uns breves instantes», começa por dizer Cecília Galvão de Azevedo, psicóloga do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, sublinhando: «E, mesmo nessa altura, depende de cada criança e do seu grau de maturidade.»

Uma mãe que se questione se deve deixar o filho de 11 anos sozinho durante os 15 minutos que demora a ir ao supermercado pode não ter a mesma resposta do que um pai que faça a pergunta relativamente à sua criança da mesma idade.

«Cada caso é um caso, pois em causa está não só a maturidade respeitante à organização, como a maturidade afectiva que permite lidar com o estar só», avança a psicóloga clínica Lília Brito, adiantando que alguns miúdos podem sentir uma angústia enorme em estarem sozinhos.

Como descobrir em que grau de maturidade se situa o seu filho? «Se os pais se mantiverem atentos ao desenvolvimento da criança, observando o seu comportamento e as suas reacções, não será difícil perceber até que ponto podem confiar nela para ficar uns minutos sozinha, ou, mais tarde, umas horas, a seguir às aulas», esclarece Lília Brito.

E Cecília Galvão de Azevedo dá um exemplo: «Se um miúdo ainda precisa que seja o pai a pedir-lhe o bolo no café ou que seja a mãe a decidir o que vai vestir no dia seguinte, é claro que não está disponível para esse passo gigante que é ficar sozinho em casa.»

Treinar a autonimia
Antes de mais, não chega a necessidade paterna de os deixar sós. Os especialistas em desenvolvimento infantil estão em sintonia: as crianças têm de estar de acordo com essa opção. Se, ao falar-lhes da hipótese, perceber que reagem com desconfiança, mostram desconforto ou dizem mesmo que não querem ficar sozinhas, jogue pelo seguro e acredite nelas.

É o momento de ajudar o seu filho a desenvolver a sua autonomia e confiança. Ou seja, prepará-lo para o crescimento e, como diz Lília Brito, dar-lhe asas para viver a sua vida.

«Como em todas as gerações, em todas as épocas, a geração mais nova adquire competências que a anterior não tinha, mas também perde outras. Creio que hoje, apesar de serem mais abertos às tecnologias, os miúdos perderam autonomia, sendo menos ágeis a tomar conta de si próprios ou a brincar em espaços desorganizados», afirma Cecília Galvão de Azevedo, explicando que, por isso, os pais devem insistir na construção da autonomia.

«É fundamental ir desenvolvendo, nas crianças, a capacidade para detectar os perigos», aconselha a psicóloga do Hospital D. Estefânia, continuando: «Normalmente, os pais optam por informar, dizendo aos filhos tudo o que não devem fazer, mas o mais importante não é informar, é formar. É necessário, por exemplo, deixá-los aparentemente sozinhos por um período, observando como reagem e confirmando se sabem o que fazer naquela circunstância. Também se pode mandá-los ir fazer pequenas compras ao supermercado do bairro, salientando a importância dos trocos, ou pedir-lhes que assegurem determinadas tarefas, participando na organização da casa. Mas isto tudo dando-lhes espaço, não andando atrás a corrigir ou, pior, a fazer por eles. Só assim se pode dar-lhes a consciência de que são capazes!»

Preparados para tudo
Quando os miúdos estão realmente prontos para ficarem sozinhos em casa, e lidam bem com a questão, é altura de lhes passar um plano de segurança, que lhes aumenta a confiança e garante que tudo vai correr bem na sua ausência.

É essencial explicar-lhes, por exemplo, em que circunstâncias devem ligar para o 112 ou, mais simples, como atender uma chamada ou uma visita inesperada, sem desvendar que os pais não estão.

Estabeleça algumas regras e faça-os compreender a importância de serem seguidas à risca. «Se elas entram no exagero é complicado, mas não existirem ainda é pior. As crianças precisam de limites e que os pais confirmem a sua aceitação», adianta a psicóloga Lília Brito, sugerindo o controlo à distância. «Os pais podem telefonar para casa ou pedir a alguém de confiança que passe por lá», aconselha.

Da mesma forma, os pais devem respeitar a regra de dizer sempre aos filhos onde vão andar enquanto estiverem ausentes. Podem estar no trabalho, é certo, mas também podem ir às compras ou tratar de qualquer assunto urgente.

É importante para os miúdos saberem do paradeiro dos progenitores, bem como o tempo aproximado que demoram até chegar a casa. Esses conhecimentos dão-lhes segurança, devendo os pais estar sempre contactáveis. Uma máxima tanto mais importante quanto mais nova for a criança.

Com peso e medida
No entanto, seja em que idade for e até ao final da adolescência, o conselho é não os deixar sozinhos por longos períodos. Um par de horas a seguir às aulas é aceitável, mais do que isso é arriscado. É certo que, no limite, dependerá da criança e do seu nível de maturidade, mas não será positivo para o espírito e a coesão da família.

«O ficar só durante uma hora ou duas, após a escola, não é grave. A criança pode ser habituada a ocupar esse tempo com as tarefas escolares. O problema é depois. O que faz ela para se entreter? Vê televisão, fala ao telemóvel, joga consola ou enfia-se no computador? Isso, em termos de relação interpessoal, é muito pobre, até porque sabemos que quando os pais chegam a casa é sempre a correr até à hora de ir para a cama», alerta Cecília Galvão de Azevedo, questionando-se: «Onde é que a criança faz a socialização? Só na escola. Mas chegará?»

Para a psicóloga do Hospital D. Estefânia, há ainda outro aspecto a ter em conta pelos pais, quando optam por deixar os miúdos horas e horas sozinhos, especialmente em frente ao televisor. «A maior parte dos pais ignora qual é a programação da TV no período em que não estão em casa. Mais, permitem que uma série de estranhos falem directamente com os seus filhos apenas porque estão dentro de uma caixa. Será que não há ali mensagens mais perigosas do que o contacto físico entre os seus filhos e outros jovens?»

E a chave de casa?
A psicóloga clínica critica igualmente as entregas de chave precoces. «A chave de casa é uma grande responsabilidade. Não devia ser dada antes do final da adolescência ou do miúdo demonstrar que está, de facto, pronto para a receber. Contudo, sabemos que, erradamente, há crianças de sete, oito anos que possuem a sua própria chave», diz Cecília Galvão de Azevedo, comentando: «Há um certo contrasenso nos pais actuais. Por um lado, infantilizam os filhos a um grau inacreditável, por outro pedem-lhes coisas e comportamentos de adultos!»

Também Lília Brito não vê com bons olhos esta independência precoce de algumas crianças. «A entrega da chave de casa é um momento simbólico do crescimento dos nossos filhos. É o dizer que confiamos neles, que os sentimos preparados para grandes responsabilidades, que lhes reconhecemos uma enorme autonomia, que, enfim, os começamos a encarar quase como iguais. Não é isso que acontece quando se fala de uma criança pequena ou de um pré-adolescente», afirma a psicóloga, sublinhando que, por isso, dar a chave de casa deve ser um passo pensado e preparado. «Tudo passa a ser diferente. Para eles e para nós.»


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Re: Sozinhos em casa

Mensagem  BomBokita_Casadinha em Seg Out 20, 2008 12:27 pm

perdi tempo, mas li!!!e gostei!!!
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Re: Sozinhos em casa

Mensagem  vivie em Seg Out 20, 2008 2:13 pm

tb só tu é que me ligas......hoje tou zangada...tem que me aturar....
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Re: Sozinhos em casa

Mensagem  BomBokita_Casadinha em Ter Out 21, 2008 11:52 am

vivie escreveu:tb só tu é que me ligas......hoje tou zangada...tem que me aturar....


lol! lol! lol! isto é uma fase.............,uito trabalho!!! as meninas andam sumidas!!! lol!
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